chego cada vez mais perto dos trinta e é estranho... mas sigo achando ainda mais estranho meus irmãos e tantos amigos chegando aos quarenta. talvez eles pensem o mesmo de mim.
aprendo cada dia mais com a minha filha, e é difícil de acreditar que sou eu quem devo ensiná-la sobre a vida. mas tento. algumas vezes com esforço, porque tento fazê-la entender muitas coisas que nem eu mesma entendi, e nem sei se vou.
simpatizo bastante com os bichos, e hoje em dia até mesmo com alguns insetos, mas ainda prefiro as pessoas, apesar de não conseguir compreender muito bem como o amor liberta mas prende, como a convivência amadurece mas irrita, como a intimidade aprofunda mas tira um pouco do encanto... pessoas, pessoas... complicadas... é, mas ainda prefiro o ser humano aos outros bichos.
amigos e família são quase a mesma coisa. e são um laboratório incrível pra exercitar a aceitação das diferenças... e me encanta cada vez mais descobrir as diferenças. e cada vez mais acho mais estranha a falta delas. e acho difícil confiar em alguém muito igual. por isso meus amigos são os seres mais anormais e encantadores do mundo. e minha família é muito igual a mim, mas diferente o suficiente pra me encantar.
aos poucos tenho conseguido lidar melhor com limites, obstáculos... já consigo abrir mão da minha liberdade, sem sofrer muito. ao mesmo tempo em que procuro não perdê-la nem por um instante. é porque percebo que ser livre do jeito que eu queria não existe, e nem devia. então aceito ser livre assim.
procuro ser o menos preconceituosa possível com tudo, e estar o mais preparada possível pra toda e qualquer sorte de estranheza que me apareça pela frente... mas confesso que ainda me custa aceitar quem não se comove com bebês, quem não gosta de crianças, quem não toma café, quem não ouve Chico nem Madonna, quem não freqüenta um buteco de estimação, quem não enlouquece de vez em quando...
não planejo quase nada e gosto muito disso. minha vida me atropela e me divirto a cada atropelo, mesmo que sofra, chore, me desespere, me descabele... me divirto depois, vendo de longe, dando risada. nada do que vivo foi planejado ou imaginado algum dia por mim, nem de maneira parecida. sempre é uma surpresa e é assim que eu quero.
cada dia aprendo um pouco e sei menos. cada dia sei menos o que quero e o que sei. cada dia acho que amadureço de um lado e me deparo com minha imaturidade de outro. me odeio e me amo.
e agradeço. é um alívio muito enorme enxergar minha vida assim, e achar tudo isso a coisa mais normal do mundo...