sábado, 14 de julho de 2007

inclassificável

passei a tarde de sábado tentando organizar a minha pasta "Favoritos" do Internet Explorer. trezentos mil sites guardados lá, sem critério algum (ordem alfabética, e olhe lá). poderia ter deixado assim, é bem verdade. mas a minha vontade de classificação falou mais alto.

criei um monte de pastas, sub-pastas, sub-sub-pastas... e fui separando, guardando, achando que tudo ia acabar bem no final: uma listinha sucinta de poucas pastas que iriam armazenar, organizadamente, as suas sub-pastas, que, criteriosamente, guardariam pequenas sub-sub-pastas com seus conteúdos super bem divididos. coisas de quem se encontra em um estado inexplicável de acidez em pleno sábado...

então tá: "arte e design", ótimo. "cinema" e "música" separados, dentro de "cultura", ok. ah, mas então "arte e design" entra em "cultura" também. então não seria melhor "arte" e "design", separados, dentro de "cultura"? mas e "moda"? dentro de "cultura"? não. dentro de "consumo"? não. separado. "consumo" são só sites de compras, "moda" são só sites de marcas bacanas. então "moda" é separado de tudo, tá. e "pesquisas"? dentro de "notícias e artigos"? não. "textos, notícias e artigos" é uma coisa. "pesquisas" vai ter que ser outra, dividida em uma pasta "pesquisar" e outra "resultados". onde entrarão as academias de Yoga? e os sites de canais de TV? ih, peraí, esqueci dos sites gastronômicos...

...e assim se passaram horas de um trabalho que me deixou com os ombros doendo de tensão. tive que criar e "des-criar" mil pastas, mil vezes, mudar mil sites de lugar, mil vezes, até chegar ao fim, mais por cansaço do que por vontade própria. o fim, na verdade, não foi o que eu esperava. o fim foram algumas pastas organizadas, outras meio perdidas, e uma longa lista de sites soltos, que continuavam ao Deus dará, por simplesmente não se enquadrarem em nenhuma classificação.

não me esforcei o suficiente? perdi o fio da meada? não é possível... cansei.

é, de repente uma pasta "outros" até resolveria o problema: jogava tudo lá e pronto! mas minha consciência não ficaria tranqüila. acabou ficando assim. e eu ainda acredito que alguma hora vou conseguir agrupar os famigerados sites sem pasta, coitados!

eu sei que não dá pra classificar tudo no mundo. nem tudo no mundo dá pra agrupar, colocar numa pasta, dar um nome aos bois e deixar ali, bonitinho, pronto para ser acessado quando precisar. se não dá pra fazer isso nem com informações concretas, imagine com pessoas, pensamentos, sentimentos. mas acho que no fundo era o que eu queria quando me empenhei nessa função.

acho que era pra apaziguar ou pra fugir um pouco do meu mundo interior cheio de livros abertos e ainda não lidos, gavetas bagunçadas, papeladas sobre as mesas, anotações em micro-papeizinhos espalhados, roupas, sapatos e coisas sem uso ocupando espaço nos armários, casa sem espaço pra nada...

é, a minha desorganização interna precisava de um alívio, mas não teve.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

who is he? where is he?

Venus as a boy
Björk

his wicked sense of humour
suggests exciting sex
his fingers focus on her
touches, he's venus as a boy

he believes in beauty
he's venus as a boy

he's exploring
the taste of her
arousal
so accurate
he sets off
the beauty in her
he's venus as a boy

he believes in beauty
he's venus as a boy

que?!

Helô: "essa música parece antiga mas não é, né...".

Carlão: "é o cheiro".

quarta-feira, 11 de julho de 2007

círculos

...ele a interrompeu com um beijo. ela gostava.

quando ela imaginava cenas de amor nas suas histórias de amor inventadas, o beijo era quase sempre assim: um ímpeto apaixonado de calar a boca e resolver tudo com um beijo.

mas naquele caso, o beijo não resolvia nada. era a volta ao mesmo ponto. o começo e o fim do círculo. das voltas que a sua cabeça dava.

mesmo assim ela gostava. e queria. ele também queria, achava ela.

por muito e muito tempo eles viveram assim... círculos... muitas e muitas conversas circulares, e beijos que fechavam círculos.

até que algum dia, ninguém sabe como, eles pararam de voltar ao mesmo ponto. passaram a chegar a outros pontos. outros círculos. agora eram linhas, tortas, às vezes meio circulares. mas não se fechavam mais, chegavam a novos lugares.

e quando ela achava que tinha um problema, ele a interrompia com um beijo, que resolvia tudo. ela gostava.

acho que foram felizes...