sábado, 3 de novembro de 2007

fim dos tempos II

quando digo que o mundo está perdido, me refiro a esse mundo, onde um carro demorou um pouco pra passar no farol verde porque esperou uma mãe e um filho pequeno atravessarem (na faixa!) a rua, e tomou mil buzinadas impacientes dos desesperados que estavam atrás. aonde vão esses desesperados, no meio do feriadão, que não podem esperar? agora, usar seta que é bom, alguém usa?! não.

falo desse mundo em que ir ao shopping num sábado chuvoso parece a única salvação de todas as famílias. por favor, levem seus filhos a uma biblioteca, a um museu, a uma livraria, que seja, se a proposta tiver mesmo que ser consumista. ou fique em casa, converse, brinque, invente algo novo pra fazer indoor. mas, por favor, shopping não! eu só fui porque precisava. não achei que minha filha se divertiria, e nem fiz disso, oficialmente, um programa pra ela, coitada, que saiu tão desgastada quanto eu. definitivamente, não pretendíamos encontrar a cidade inteira lá...

socorro, as pessoas são muito loucas!!!

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

honra ao mérito

não é por ser meu irmão, não... é porque o cara é phoda!

Tenho muito orgulho de receber esse prêmio, ao lado de equipe tão especial: Luis Cosme, editor, velho amigo, bom de papo e de texto; Tony Chastinet, repórter acima de tudo, hoje exercendo a função de produtor na TV; esteve lá na Bahia apurando toda a história comigo... e o Luis Vieira, nosso Lula, cinegrafista bom na imagem e na reportagem.
Meus amigos.
Muito mais que um prêmio, ou um troféu, o Vladimir Herzog é um símbolo. Símbolo de uma época em que jornalista morria quando desafiava o poder, ou quando queria simplesmente fazer o seu trabalho. Hoje, o risco maior é perder o emprego - e alguns aqui sabem bem do que estou falando.
Em 1975, quando Vlado foi assassinado num quartel em São Paulo, um ato corriqueiro como esse aqui - uma reunião pública - era proibido! Muita gente morreu, e milhares de brasileiros foram às ruas lutar, pra que a gente hoje possa estar aqui. Digo isso, pra celebrar a Democracia. Não importa que alguns, em gabinetes oficiais, avacalhem com o mandato que recebem. A Democracia não pertence a eles. Muito menos aos que se julgam donos da "opinião pública", no comando das redações por aí! A Democracia é nossa, e devemos defendê-la.
O Vladimir Herzog é também um símbolo de que há muito a se fazer nesse país. A nossa série de reportagens mostrou uma situação escabrosa no interior da Bahia: 64 mortes na explosão de uma fábrica de fogos. Crianças e mulheres, que trabalhavam sem registro, sem segurança, sem direito nenhum. Por salários miseráveis!
Quase 10 anos depois, ninguém foi julgado. Não vejo nossa classe média cansada - e iluminada pela Philips - fazer passeatas por esses mortos. Valem menos do que outros mortos? Por que essa indignação seletiva no país?
Ainda bem que existe o Vladimir Herzog, pra falar disso! E ainda bem que agora há mais concorrência no Jornalismo de TV! Isso também é simbólico nesse caso!
O sujeito que chefia a fabricação de fogos em Santo Antonio de Jesus tem ligações com o grupo politico que mandava na Bahia até pouco tempo... Esse mesmo grupo é dono da maior emissora baiana. E essa emissora, concorrente da Record, nunca deu muita bola pro caso. Por que será? É curioso: eles têm equipe a postos pra atacar os quilombolas, como fizeram recentemente na Bahia. Pra estigmatizar os movimentos sociais. Mas, pra lembrar impunidade, num caso de 64 mortes, aí não há equipe. Curioso!
Mas, tudo bem. Porque agora há essa turma aqui na Record, disposta a contar essas histórias. Fico muito contente de estar nesse time, que aposta num Jornalismo de verdade! E não num Jornalismo que testa hipóteses ou que defende teses estranhas - como a de que não existe racismo no Brasil! Aí,não dá! Francamente...
Já que cheguei a esse ponto, peço licença pra falar de um assunto pessoal. Ano passado, vivi momentos um tanto conturbados quando deixei a empresa onde trabalhei por 12 anos. Tenho lá muitos amigos. Há muita gente séria lá, certamente... Mas, hoje, estão sob comando de uma direção meio aloprada... No momento da minha saída, com um comunicado covarde, tentaram me desqualificar. Na época, me diziam: reaja, processe, parta pra cima!
Não dei bola. Eu me lembrei de uma entrevista do Pepe, antigo craque da seleção... Perguntaram pra ele uma vez: "Pepe, quando vocês iam à Argentina, nos anos 60, já chamavam os brasileiros de macaquitos?" E o Pepe: "sim, claro, isso sempre existiu"."E o que vocês faziam?"."A gente metia gol neles".
Isso é muito bom. Quanto mais os argentinos xingavam, mais gol levavam...
Humildemente, porque não sou o Pepe, acho que nós fizemos um belo gol, com a matéria e com o prêmio. A gente gosta é de ganhar na bola! A gente sabe ganhar na bola! Mas, se precisar, a gente também sabe dar umas caneladas! Queria, por fim, agradecer a todos que me deram apoio naquele momento conturbado. Amigos de infância, de Faculdade - jornalistas ou não. Agradeço a todos aqui, publicamente! Mas, gostaria de agradecer especialmente à minha mulher, Teresa - ponta firme e guerreira. Agradeço a meus pais, que me ensinaram a encarar as brigas que valem a pena! A meu irmão - que sabe travar o bom combate. À minha irmã querida, e à família toda. E, claro, a meus filhos André e Vicente. Por eles, principalmente, vale lutar por um mundo melhor.
Viva a Democracia! Viva o Jornalismo plural! Viva Vladimir Herzog! Obrigado a todos.

(discurso do jornalista Rodrigo Vianna, ao receber o Prêmio Vladimir Herzog, no último dia 25 de outubro).

e enfim...


os Jasmins brotaram, floresceram, cresceram, perfumaram e coloriram a tarde - quente, azul, preguiçosa e linda.

fim dos tempos

tão divertido amiguinhas à toa, bebendo e falando mal da vida alheia. e do garçom, que deve estar até agora amargamente arrependido de ter sido antipático. não quer ser nosso amigo, não seja, mas seja fino.

muito estranho chegar à conclusão de que o mundo está muito louco, que as pessoas estão muito loucas e que a nossa vida parece cada vez mais normal (entenda "normal" como quiser), perto de toda essa loucura. quanta gente insana existe por aí...

me sinto em segurança no meu mundo. por outro lado, sair de casa pode equivaler, praticamente, a adentrar num manicômio. nem precisa sair. converse meia hora com alguém e pode ter certeza de que em algum momento a pessoa vai te contar alguma história inacreditável, sobre ela mesma, ou sobre o vizinho, ou sobre a cunhada, não importa. o que importa é que a galera pirou de vez.

ontem fui fazer um exame chamado teste ergométrico. os caras quase te matam de cansaço pra ver se seu pobre coração agüenta o tranco. o meu quase que não agüenta, coitado. correr na subida não é pra mim. pelo menos por enquanto. saí de lá passando mal, com as pernas bambas, tontura e medo de morrer, mesmo.

daí o médico perguntava uma série de coisas, tipo: fumante ou não fumante? pratica exercícios com freqüência? problemas cardíacos na família? remédios de uso contínuo? e eu tentando responder, tentando respirar. respostas muito complexas para serem dadas numa situação daquelas.
muito stress no dia-a-dia? não! essa resposta curta e grosssa até me deu mais fôlego. juro, se tem uma coisa que esses médicos nunca vão poder inventar como diagnóstico para qualquer problema que eu venha a ter, será o tal do fator stress. sem stress na minha vidinha, por favor... ah, e anota aí que eu não sou do tipo, pelo menos não por enquanto, que corre na subida por livre e espontânea vontade, tá? é que preciso tirar a limpo o que são as palpitações que andei sentindo.
antes do teste ergométrico fiz um tipo de ultrassom de coração que não lembro o nome. conheci "pessoalmente" meu coração, vi a "cara" dele, os átrios, os ventrículos. pude comprovar com meus próprios olhos e ouvidos que no meu peito bate um coração, de carne, sangue, veias, artérias. tá, confesso que mesmo com a minha experiência em decifrar imagens de ultrassom, não consegui ver assim, com tanta clareza, a "cara" do meu coração. mas ele estava lá, tinha umas coisas pulsando, e os sons dos batimentos pareciam scretchs de DJ, muito maluco aquilo... ai, uma graça meu coração, um fofo, batendo super bem, exercendo sua funçãozinha, amei.

mas voltando à noitada da mulherada, a minha conclusão foi essa aí... de que o mundo está perdido e só pessoas como nós, sãs e normais, podem salvá-lo. e nem sei se era isso o que tínhamos planejado. ui, quanta responsa!