domingo, 15 de fevereiro de 2009

um domingo qualquer

fim do horário de verão. uma hora a mais de sono. Ana na casa da vovó. café da manhã na padaria ao meio-dia. salada de fruta. café com leite. jornal. televisão. o garçom aumenta o volume, querendo dizer "falem baixo!". assunto: futebol. Zico ou Zidane, qual é o melhor? imagens antigas de Zico jogando. comoção na padoca: "jogava pra caralho!", "que golaço", "lembra disso?", "nooossa!"... cada um tem algo a dizer. acho bonitinha essa comoção. sorrio por dentro. uma linda menininha de um ano passeia ao redor das mesas. eu observo. ela vem andando na minha direção, apontando e dizendo baixinho "mamã, mamã, mamã". o pai meio sem graça vem pegá-la, ri e corrige: "não é a mamãe, não...". não é, mas é, né... sorrio por dentro e por fora. leio por acaso no jornal uma pequena entrevista com Luiz Tatit. como pude sempre saber dele e nunca antes ter sabido direito sobre sua teoria semiótica? na hora de pagar a conta não resisto aos suspiros caseiros. o gosto do suspiro é a lembrança da minha avó. as perguntas do fim-de-semana são as mesmas de ontem: onde estão e o que fazem as pessoas da minha idade? que pedaço da história eu perdi? crise de identidade ao contrário... é referente?! e a chuva volta a cair.

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